Sou mãe e como mãe de criança um dos maiores medos é o desaparecimento infantil. A estatística no Brasil é de que 66 crianças desapareçam por dia. Um número assustador que não é capaz de revelar a dor e angústias de muitas famílias.
Seguem algumas dicas para serem conhecidas e implementadas em casa.
Valem para qualquer idade — são a base de tudo o que vem depois.
1. Senha de família
Uma palavra secreta, só da família. Ninguém leva seu filho a lugar nenhum sem dizer a senha — nem
conhecido, nem tio, nem “a amiga da mamãe mandou”. Não sabe a senha? Não vai. Isso fecha a porta do
golpe mais comum: o “seus pais me pediram pra te buscar”.
2. Adulto não pede ajuda a criança
Decore e ensine isto, porque é a isca número um dos raptores: o adulto que pede pra criança “ajudar a
achar o cachorrinho”, “carregar uma coisa” ou “mostrar o caminho”. Adulto de verdade pede ajuda a
outro adulto, nunca a uma criança. Se um adulto pede ajuda a ela, a orientação é se afastar e procurar
a mamãe (ou o responsável).
3. Pode quebrar a regra pra se salvar
Seu filho tem permissão total para gritar, correr, chutar, morder, fazer escândalo e ser “mal-educado” se
alguém tentar levá-lo. A educação vem depois — a segurança vem primeiro.
4. Gritar a frase certa
Criança que só grita “socorro” é ignorada — todo mundo acha que é birra. Ensine a frase que faz a multidão
virar a cabeça:
“SOCORRO! EU NÃO CONHEÇO ESSA PESSOA!
Adapte a orientação à fase de desenvolvimento — o que funciona aos 3 anos não é o mesmo
que funciona aos 7.
Regra única: PARA e GRITA
Não lê ambiente, não avalia ninguém. Se andar, some de vez.
“Não me viu? Para no lugar e grita meu nome bem alto. Não anda.”
Grita o seu próprio nome (não “mamãe”, que todas as crianças gritam).
Treine o grito em casa, virando brincadeira, para perder a vergonha
5 a 7 anos
PARA, depois ESCOLHE quem pedir ajuda
Já lê um pouco o ambiente. Princípio de ouro: é mais seguro a criança escolher a quem pedir do que
aceitar quem se oferece.
Procura você: uma mulher que também está com um filho, ou a pessoa do caixa/uniforme da loja.
Fala “me perdi”. Eles chamam o nome dela no som.
A frase que salva: “Se alguém se oferecer pra te levar, fala NÃO e fica onde está. Quem ajuda de
verdade chama no alto-falante, não te leva embora.”
Já pensa sozinho — o trabalho agora é dar ferramentas, não regras
prontas
Nessa fase a criança já avalia situações e toma decisões — o papel do adulto é afiar o julgamento
dela, não substituí-lo.
Trajeto combinado: se for sozinho até a escola, mercado ou casa de um amigo, o caminho é
sempre o mesmo, combinado antes. Qualquer desvio, avisa.
Celular como ferramenta de segurança: localização compartilhada com os pais, e a criança
sabe ligar para casa ou para o 190 sozinha.
Regra do “não confirma”: ensine a nunca confirmar em voz alta nome, escola ou rotina para um
estranho que pergunta — mesmo que pareça gentil ou perdido.
Cuidado on-line também é segurança física: converse sobre não combinar encontros com
pessoas conhecidas pela internet, e sobre avisar um adulto se alguém insistir em querer se
encontrar.
A frase que salva continua a mesma: “Socorro! Eu não conheço essa pessoa!” — treinada até virar
automática, sem vergonha de chamar atenção.
Mantenha distância dos carros. Ensine: andar longe do meio-fio; se um carro parar e chamar,
afastar-se na direção contrária à frente do carro — ele precisa dar ré para seguir, e isso dá tempo.
Em lugar cheio: combine um ponto de encontro ANTES de entrar, e uma cor de roupa fácil de achar
na multidão
O que cabe a você, adulto responsável, fazer antes que qualquer coisa aconteça.
Não exponha o nome
Mochila, camiseta, garrafa com o nome à mostra entregam ao raptor a senha de confiança: ele chama a
criança pelo nome e parece conhecido. Nome, só do lado de dentro.
Cuidado com o que você posta
Foto de uniforme da escola, localização marcada, rotina previsível (“todo dia 7h levo na escola X”) são mapa
para quem observa.
Banheiro público é ponto de risco
Acompanhe crianças pequenas. Não mande sozinho “que é rapidinho”.
Os primeiros 10 minutos (se acontecer)
Decore isto agora, porque no susto ninguém pensa.
1. Não espere “24 horas”
Esse prazo é mito. Você pode e deve registrar o desaparecimento imediatamente. Ligue 190 na hora.
2. Em loja/shopping
Avise um funcionário JÁ e peça para fecharem as saídas e chamarem no som. Quanto mais rápido travar as
portas, menor a janela do raptor.
3. Tenha sempre uma foto recente no celular
Truque que salva: fotografe seu filho ao sair de casa — você terá a roupa e o rosto exatos do dia.
4. Saiba de cor
Altura aproximada, marcas, sinais, o que ele vestia. Isso acelera a busca.
Este protocolo não existe para assustar — existe para dar clareza. Criança treinada não é criança
amedrontada: é criança que sabe exatamente o que fazer, porque já ensaiou em casa, em segurança,
com quem ama.
Revise essas regras periodicamente, transforme o treino em brincadeira e adapte a linguagem à
idade do seu filho. Segurança se constrói com repetição, não com medo.
Se Eu Me Perder, Eu Sei o Que Fazer – Livro Infantil 4 a 6 anos (1)
Minhas Regras para Andar Por Aí – Livro Infantil 7 a 11 anos (1)